segunda-feira, 1 de outubro de 2007

De fora para dentro para fora

Inala perfumes da terra, reconfortantes, para suas narinas, mas esqueceu de respirar direito primeiro. Cabeça e pulmão em conflitos constantes.
Apalpa veludos e lãs, quentes tecidos, mas esqueceu, antes, de lavar suas mãos - estas, cada vez mais ágeis e rápidas, cada vez menos leves e livres.
Degusta algodão doce com seus lábios e língua, atrás de lembranças perdidas de outrora, mas esquece de saborear lentamente - quando vê já engoliu, cadê o gosto?
Flores de primavera, colírio para os olhos, mas estes estão sujos, pesados, embaçados. Esqueceu-se de lavá-los pela manhã do outro dia.
Tons maiores e menores em consonâncias perfeitas pros ouvidos, mas são tantos que seus próprios tímpanos ficam pequenos. Não consegue mais ouvir o silêncio em paz.

É que hoje é homem grande, desaprendeu a chorar menino, alma grande.

Então, ele abre suas prisões e sangra escritos, para depois fechá-las, e aí, então, se sentir um pouquinho mais completo.