segunda-feira, 1 de outubro de 2007

De fora para dentro para fora

Inala perfumes da terra, reconfortantes, para suas narinas, mas esqueceu de respirar direito primeiro. Cabeça e pulmão em conflitos constantes.
Apalpa veludos e lãs, quentes tecidos, mas esqueceu, antes, de lavar suas mãos - estas, cada vez mais ágeis e rápidas, cada vez menos leves e livres.
Degusta algodão doce com seus lábios e língua, atrás de lembranças perdidas de outrora, mas esquece de saborear lentamente - quando vê já engoliu, cadê o gosto?
Flores de primavera, colírio para os olhos, mas estes estão sujos, pesados, embaçados. Esqueceu-se de lavá-los pela manhã do outro dia.
Tons maiores e menores em consonâncias perfeitas pros ouvidos, mas são tantos que seus próprios tímpanos ficam pequenos. Não consegue mais ouvir o silêncio em paz.

É que hoje é homem grande, desaprendeu a chorar menino, alma grande.

Então, ele abre suas prisões e sangra escritos, para depois fechá-las, e aí, então, se sentir um pouquinho mais completo.

sábado, 15 de setembro de 2007

daqui para lá

sentado aqui, porto distante, cinza e quente
vista mais para o norte, menos para o sul
escorrego dois lances para tentar subir três
e, assim, dou início ao descolamento


nessa trilha as palavras são ocas, sem peso
seu seio jorra acordes de violão, gargalhadas, chocolates
ou ainda os tropeços, amargos dissonantes, lágrimas
qualquer matéria para se deslocar, e não para fixar


daqui para lá

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

O sofrimento em raio - X




Tem algo de diabólico e divino em seu corpo, estrutura, dimensão

Ora rasga, ora amacia

Traz em si mistérios sempre temidos, sempre desejados

Terror e encanto


Visita freqüente, sempre passageira

Visita passageira, muito freqüente

Quando renegada, agride o seu receptor

Quando aceita, apenas perturba e, delicadamente, se despede.


Para uns, perigo, fogo que arde e consome

Para outros, caminho, gelo que arde, desincha, cicatriza

Aos primeiros, rua sem saída, caixão, estátua

Aos últimos, dança, ar, pássaro


Quantas vezes somos os primeiros?

Quantas vezes os últimos?

Às vezes mais esses

Às vezes mais aqueles


Desautorize-o

Autorize seu inverso

O ponto de vista não importa muito

Mas não deixe de escolher um

domingo, 19 de agosto de 2007

Côncavo e Convexo

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Pequena nota introdutória do autor

Meu pontapé inicial é dado com um pequeno texto escrito há uns 2 meses, se não me falha a memória... ainda que não seja criação do momento - aquela tirada fresquinha do forno cerebral, venoso, arterial - creio que ele está bastante atual no que tange o calor do sentimento expresso nos versos.

bom, é isso, sem muito o que dizer, espero que os amigos possam conhecer um pouco mais do meu 'cantim sagrado', aqui neste espaço virtual.

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Côncavo e Convexo


Parece que tem ventado mais esses dias,

Tem um ar diferente, mais uma vez...

Corpo que dilata e comprime

Vai-e-vem

Lá e cá

E assim por diante...


Estou mais magro, e ao mesmo tempo mais gordo também

Meus tênis estão com os cadarços desamarrados

No rosto, ainda algumas marcas.

Os pés... um, dois, um, dois, frenético.


Dobro esquina com pressa de novo

E, mais uma vez, não me lembro de ver aquela mosca no portão

... o morro dois-irmãos

... uma formiguinha que... ops, pisei.

e lá em cima também, o cabra de braços abertos

e logo ali, eu.


Mas... não é só isso.. o ar tá diferente, e é engraçado...

Talvez porque estou magro nesses últimos dias de calor

A correria ou o seu oposto natural

Talvez porque esteja ficando velho...

Talvez, ainda, porque 1 + 1 (pode, ou não, ser) = 2


‘Talvezes’ são tintas jogadas no quadro com vendas nos olhos

E esse quadro não se vende, permanece em manutenção.


Eis a única certeza.


Hoje e sempre.


Ponto e linha.


- No próximo ponto, por favor, motorista!